O dia em que eu assisti: ATYPICAL

By Thayama Matos - 20:44


Eu fiquei um bom tempo tentando decidir o que escreveria como post de estreia desse bloguinho que foi tão sonhado, planejado e esperado por mim. E depois de pensar e escrever um milhão de textos que eu achava que ficariam bons, mas que no fim das contas me desapontavam, optei por começar trazendo uma resenha de uma das séries mais incríveis que já assisti: ATYPICAL.

SINOPSE:

Sam (Keir Gilchrist) é um jovem autista de 18 anos que está em busca de sua própria independência. Nesta jornada, repleta de desafios, mas que rende algumas risadas, ele e sua família aprendem a lidar com as dificuldades da vida e descobrem que o significado de “”ser um pessoa normal”” não é tão óbvio assim.


Mas porquê, dentre tantas séries eu escolhi ATYPICAL para começar minha jornada no blog? Pura e simplesmente por identificação. Apesar da série abordar uma questão completamente diferente da qual eu vivo. As angústias, experiências e descobertas vividas por Sam, são exatamente as mesmas pelas quais eu passei ou ainda estou passando.

Eu demorei um tempo até assistir a série de fato, quando comentavam dela comigo, eu achava bacana, me despertava um certo interesse, mas eu nunca havia parado para assisti-la. Mal sabia eu o que estava perdendo e o quanto essa série me abriria os olhos para muitas coisas.


Sam é um personagem muito carismático, fica difícil você não se afeiçoar a ele ao longo das 3 temporadas. Um jovem de 18 anos, que foi diagnosticado com o espectro autista ainda na infância, mas que descobriu a sua própria maneira de viver, sobreviver e principalmente lidar com tudo isso.

Uma tarefa árdua, diga-se de passagem, não somente para quem vive dentro do espectro autista, mas também para quem convive com alguma deficiência ou limitação de qualquer tipo.

Nós somos aquele tipo de pessoas que os pais querem proteger a todo custo, uma proteção que vai além da convencional já esperada. E isso fica claro na série desde o primeiro instante.


Apresento a vocês, Elsa (se você pensou na rainha de Arendelle, errou feio), a mãe super protetora e organizada do nosso protagonista. Ela é o exemplo perfeito de como muitos pais agem, diante das dificuldades e dos desafios de se ter um filho com limitações - ou nesse caso, com o espectro autista -.

Ela está sempre tentando fazer com que tudo esteja perfeito, para que o Sammy não precise ter preocupações, ela tem até um quadro de atividades na cozinha, com todas as tarefas importantes a serem feitas.

Elsa é o porto seguro de Sam durante muito tempo, estando ali sempre que ele precisa, em suas crises e nos momentos importantes. Ela se faz necessária, afinal ela sabe tudo o que tem que ser feito, como e quando tem que ser feito. É aquela mãe que sente necessidade de que as pessoas ao redor precisem dela. 

O que, no decorrer da série acaba se tornando um problema, considerando que Sam está crescendo, evoluindo, fazendo  novas descobertas e andando com as próprias pernas, descobrindo novas formas de se reinventar sem ter que precisar da mãe ou de qualquer outra pessoa lhe guiando todo o tempo.



Eu me identifico bastante com esse ponto da série, porque durante muito tempo meus pais foram - e às vezes ainda são - como a Elsa. Durante muito tempo eu entendi a postura deles quanto a isso. Não é fácil criar um filho, isso todo mundo sabe, principalmente quando vem acompanhado de um bônus surpresa como uma condição física ou mental especial. 

Mas, uma hora, todo esse cuidado excessivo cobra o seu preço e isso pode ser um processo bem doloroso.


Em contrapartida, temos o Doug o pai. Doug é aparentemente aquele pai tranquilo, gente boa que está ali para equilibrar a loucura quem vem junto com a Elsa. Mas, a real é que Doug é um cara com vários problemas que o atormentam, mas que ninguém nota, até que eles sejam esfregados em nossas caras.

A verdade é que Doug nunca aceitou a condição do filho. Ele não sabe lidar com isso tão bem quanto a Elsa e em determinado ponto isso fica evidente. Sua insegurança e sua teimosia começam a afetar sua vida de tal forma que só uma chacoalhada radical pode colocar tudo nos eixos novamente.


É tão legal de ver o amadurecimento e o processo de aceitação dele durante os episódios. Principalmente porque ele passa a ser o porto seguro de Sam, e acho que isso acaba dando a ele a segurança que ele precisava para reconhecer, aceitar a condição do filho, e entender que ser diferente é normal e tá tudo bem.

Muitos pais sentem uma certa dificuldade de se conectar com seus filhos, de entendê-los e muito disso vem da insegurança, do medo de encarar aquilo que é diferente e de compreendê-lo.


Para enfrentar essa jornada de independência e autoconhecimento, Sam conta com o apoio e o incentivo de três pessoas muito importantes: seu melhor amigo Zahid, sua irmã mais nova Casey, e sua namorada, Paige.

Acho que, se não fosse pelo apoio dessas pessoas, talvez o Sam não teria seguido em frente e não teria aberto um universo de possibilidades para si.

Eu vi as minhas próprias relações refletidas nas relações do Sam, e analisando agora, talvez eu mesma não tivesse tido a coragem para seguir em frente e expandir os meus horizontes, se não fosse o apoio dessas pessoas essenciais.

Sei que todas as coisas que conquistei até aqui foram mérito meu, mas certamente, algumas pessoas fizeram a diferença nesse processo.




QUEM DISSE "A PRÁTICA LEVA À PERFEIÇÃO" FOI UM IDIOTA. HUMANOS NÃO PODEM SER PERFEITOS, PORQUE NÃO SOMOS MÁQUINAS. INFELIZMENTE, A MELHOR COISA QUE VOCÊ PODE DIZER SOBRE A PRÁTICA É QUE ELA AJUDA.

Esse blog nasceu de uma vontade não só de compartilhar, mas também de celebrar. Celebrar a mim, a minha condição física, aos meus esforços para alcançar meus objetivos e principalmente: celebrar a alegria de ser eu e estar viva, com saúde, amando cada pedacinho perfeitamente imperfeito de mim. Assim como Sam aprendeu a fazer.

Mais que um lugar para compartilhar as minhas experiências, eu espero que esse possa ser um porto seguro para aqueles, que como eu, por muito tempo se sentiram perdidos e não representados de alguma forma. Garanto que assunto não vai faltar, pode confiar! ;)

Com amor,
Thay

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22 comentários

  1. Super completa a analise! Adorei.

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  2. Eu não assisti a essa série, embora já tenha ouvido falar muito. A sua resenha me deixou curiosa. Quem sabe já incluo na lista de séries que estou vendo na quarentena.

    Tatiana - Sapore Magico

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    1. Assista sim, você vai adorar. Tem 3 temporadas disponíveis na Netflix. A quarta e última tá prevista para 2021. Até lá dá tempo de maratonar tudinho! :)

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  3. Uau, não conhecia a série mas a sua resenha me despertou o interesse, amei o enredo. Beijinhos e Sucesso!

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    1. Vale muito a pena assistir, Isa. Tem disponível na Netflix. Recomendo.

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  4. Eu adorei a sua analise sobre a serie, meu namorado tava assistindo e comecei a vê junto. É uma serie linda e maravilhosa. Vale a pena vê.

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    1. Obrigada, Mille. Siim é muito linda e cheia de significado e lições. Ansiosa pela 4ª temporada em 2021.

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  5. Olá Querida,
    não conhecia a série mas a sua resenha me despertou o interesse, amei o enredo.
    Muito obrigada:)
    Beijinhos Karina

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    1. Fico feliz que tenha gostado, Karina. Assista sim. Você vai gostar :)

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  6. olha que tudo, já quero assisti, me deu muita curiosidade, amei o enredo!

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    1. Fico feliz que tenha gostado Pat. Super recomendo. Está disponível na Netflix.

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  7. Resenha excelente. Ainda não assisti a série mas me deu vontade só pelo seu entusiasmo.

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  8. Não conhecia essa série, não tinha ouvido falar dela.
    Vou dar uma olhada pra ver se gosto. rs

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  9. Seja bem vinda ao mundo da blogosfera e adorei sua perspectiva acerca da série e legal que tenha se.identicado com o Sam assim fica mais fácil entender que o mundo não é perfeito como os dois tentam criar para os filhos.

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    1. Verdade Sueli. O mundo assim como nós seres humanos, é cheio de falhas e por mais que tentemos, nunca poderemos nos proteger ou proteger quem amamos de passar por momentos difíceis às vezes.

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  10. Acredita que eu ainda nao assisti essa serie, mas vi muita gente falando bem

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  11. eu nao assisti a serie completa mais amei sua resenha, com certeza vou tentar terminar de asistir

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